Excursões Culturais Delfos!
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conta com o departamento de Excursões Místicas, realizando constantemente
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Leia Depoimento especial :
OS APU DE MACHU PICCHU
(Jornal: Gazeta do Povo - Curitiba - Pr)
Suplemento de TURISMO |
publicado na edição impressa de 20/07/2006
PERU
- Viagem à cidade sagrada dos incas é cercada de misticismo
por FRANCISCO C. ZEMEK
Viajar a um lugar místico e desconhecido sempre é fascinante.
De minha parte, Machu Picchu não era desconhecida. Mas ir até
lá de ônibus, passando pela Cordilheira dos Andes a mais de 4
mil metros de altura, pelo Deserto de Atacama e subindo até o
Lago Titicaca, mostrou-me que desconhecia a verdadeira importância
desses lugares.
Em 2004, quando transitávamos de ônibus, dia e noite, pelo Deserto
de Atacama, um sonho se fez claro, intenso. Nesse sonho, um homem-pássaro
aparecia e nos falava de lendas e ritos Incas, mostrava-nos o
lago Titicaca - com quase o dobro do tamanho atual -, e nos contava
sobre a cultura Tiwanaku, do lado boliviano, como precursora do
império Inca. O mais impressionante foi que o homem-pássaro pediu-nos
que prestássemos atenção ao chegar a Machu Picchu, já que lá estariam
nos esperando. Mas ele não esclarecia quem ou o quê nos aguardaria.
Ao nos aproximarmos do Lago Titicaca os sonhos eram mais e mais
intensos. Vitalidade e energia pareciam aumentar em cada um dos
membros da excursão. Consultamos guias locais sobre tais sonhos,
mas eles pareciam receosos em nos responder. Mostravam-nos réplicas
de "huacos" ou "guacos", vasos e estátuas cerimoniais, que vários
indivíduos do lugar ofereciam aos turistas. Até que meu filho
e eu ficamos petrificados ante uma pequena estátua de um ser humano,
com capacete de pássaro e com os braços estendidos, formando duas
asas com penas: aquele era o homem-pássaro dos sonhos.
Começamos, então, a indagar guias turísticos e nativos sobre
as lendas e os lugares. Eles nos explicaram que, segundo as tradições
andinas, cada pedra, cada montanha, cada rio ou lago estão protegidos
por um "Apu", um espírito ou "ser mítico" de cada coisa. Por isso,
diziam-nos para não ficar dando pontapés nas pedras, ou guardá-las
nos bolso, ou arrancar flores ou frutos, sem antes pedir licença
ao Apu local. Ao fazer isso, estaríamos reconhecendo a existência
dos espíritos locais, que se sentiriam agradecidos e nos ajudariam.
E assim ocorreu.
De Puno a Cusco, passamos por Sillustani, altas torres cerimoniais,
e o mundo parecia abrir-se a nossa frente. Músicos subiram no
ônibus para nos deleitar com suas "quenas" - as flautas andinas.
Em Sillustani, sem qualquer programação de nossa parte, pudemos
apreciar um grupo folclórico que fazia apresentações por lá. E
ainda nos convidaram a conhecer uma casa típica da região e, ao
cair da tarde, ofereceram-nos diversos pratos com batatas, (aliás,
a batata é típica das culturas andinas). Tudo parecia acontecer
naturalmente. O único requisito era chegar a cada lugar e fazer
um ritual, em círculo, para prestigiar os Apu da região
. Em Cusco, um guia levou-nos a conhecer o parque arqueológico
de Saqsaywaman e quando lhe perguntamos sobre os Apu locais, ele
fez um ritual e nos levou por túneis escuros - não sem antes invocar
a proteção de tais espíritos.
Mas quando chegamos a Machu Picchu, após horas de trem e mais
meia hora de subida em um microônibus, ao passarmos pelo portão
de entrada, o guia disse-nos para olharmos o céu. Um condor estava
voando em círculos acima de nossas cabeças. Uma, duas, três voltas
e foi embora. Vindos de outros grupos, novos guias aproximaram-se
de nós, olharam meu filho e, com um forte abraço, disseram-lhe:
"O condor veio por vocês, estava lhe esperando". Só depois ficamos
sabendo apenas que uma ou duas vezes por ano o condor é visto
em Machu Picchu, e isso aconteceu justo no momento em que ingressamos
no lugar. A visita do condor não durou mais que alguns minutos,
mas nos explicaram que o Apu, o espírito do lugar, esteve presente
e agradeceu o reconhecimento que vínhamos fazendo ao longo do
caminho. O sonho tornou-se realidade.
FRANCISCO C. ZEMEK é DIRETOR
DO CENTRO FILOSÓFICO DELFOS.